A cocriação da narrativa e o desenvolvimento da KaTolândia
A narrativa subsidia o processo de cocriação do espaço imersivo, que se desenvolveu nos encontros síncronos, onde os KaTs puderam de forma colaborativa se envolver na concepção do MDV3D. Ela vai sendo co-criada pelos KaTs que discutem as ideias, procurando-se integrar todas são por elas sugeridas.
Num dos Saturday Morning with TomKaT, os KaTs iniciaram um desenho de como imaginavam a KaTolândia, planeta de onde vem o TomKaT, utilizaram lápis e papel, como observado na Figura 1 e/ou com tecnologias digitais (exemplo Paint, Paint 3D).
Posteriormente, os KaTs compartilharam seus desenhos, o que provocou um momento de troca de ideias, entre grupo de crianças, adolescentes, pais, professores e pesquisadores, sobre a interpretação gráfica do planeta do TomKaT. Para alguns é um planeta organizado por vilas, onde habitam além dos gatos, outros animais: cachorros, pássaros, formigas, peixes e que vivem separados por rios e árvores, evidenciando a semelhança com o planeta Terra. Este planeta, dividido por um rio, tem uma parte pertencente aos gatos (KaTolândia) e outra pertencente aos cães (Doglândia). A cidade dos peixes, propositadamente, está localizada na Doglândia, para obrigar os gatos a visitá-la, tornando-se amigos de seus habitantes, os cachorros.
Para outras, a KaTolândia é um planeta, em forma de gato, que fica na galáxia onde se podem encontrar vários planetas habitados por várias espécies. Este planeta, possui muita água (rios), onde existem muitos peixes, “porque os gatos comem peixe”.
O desenvolvimento da narrativa é registrado num documento que é compartilhado com todos. Atualmente a narrativa passou a ser cocriada em conjunto com as Linguagens Generativas Estocásticas, como o chatbot de Inteligência Artificial (IA), chatGPT.
Surge a ideia de pensar como seria a KaTolândia, planeta habitado pelos gatos e como seria a escola para gatos. Dentre os registros realizados nos encontros, algumas falas se destacam por descrever com detalhes o espaço imaginado pelas crianças:
“Na KaTolândia não teriam escolas, ela é um planeta dos gatos, o chão seria mais naquele aspecto de arranhador e os gatos não são como os cachorros que gostam de aprender tanto, eles gostam de ter desafios e gostam de dormir, então eu acho que não teriam escolas e no máximo ser cheio de bichinhos e ter os desafios, que poderiam ser relacionados a escola. O chão, as paredes, o mundo poderiam ter aspecto de arranhador e ter alguns desafios para eles. Acho até que poderia ter um tipo de escola, mas para os gatinhos aprenderem alguns truques tipo os cachorros, mas eles não gostam muito de aprender, mas tem gato que aprende. Aí o TomKaT teria a curiosidade de saber como são as escolas daqui já que lá não tem” – KaT 1, 12 anos.
As crianças começaram a idealizar o planeta onde os gatos poderiam brincar e uma escola, como um lugar mágico de aprendizagem e diversão.
“Eu imagino que lá teria uma escola para os gatos aprenderem truques, que nem as KaTs falaram e depois da escola teria uma floresta que eles pudessem ir para praticar os truques que eles aprendiam. E também na KaTolândia poderia ser um planeta com vários túneis de arranhador e brinquedos de arranhador” – KaT 2, 9 anos.
Ao abordar sobre os habitantes da KaTolândia, algumas citações iniciais destacam a presença de outros gatos: “na KaTolândia, existem outros gatos” e “tem que ter peixes e água para os gatos terem treinos de pesca”. Essas observações preliminares fornecem um ponto de partida interessante para o desenvolvimento do MDV3D.
Excerto do artigo: SCHUSTER, B. E.; CLETO, B. C. G.; SCHLEMMER, E. KaTolândia: O Processo De Cocriação De Um Espaço De Aprendizagem Imersivo. Revista Multifaces, v. 6, p. 1-8, 2024.







